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O Papa Francisco usa um toucado tradicional que lhe foi presenteado por líderes indígenas após o seu pedido de desculpas durante a sua visita a 25 de Julho de 2022 em Maskwacis, Canadá. O Papa está em digressão pelo Canadá, encontrando-se com comunidades indígenas e líderes comunitários, num esforço para reconciliar o legado prejudicial do papel da Igreja nas escolas residenciais do Canadá.Foto de Cole Burston/Getty Images

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(LifeSiteNews) – Durante décadas, os católicos progressistas têm tentado mudar a noção de missões católicas, especialmente entre os povos mais primitivos. Assim, a viagem do Papa Francisco ao Canadá destaca o domínio desta corrente que enquadra o trabalho missionário índio-americano como um instrumento de opressão europeia e de supressão das culturas tribais.

Armada com noções do “nobre salvagem” de Rousseau e erros de teologia da libertação, esta ala progressista da Igreja afirma mesmo que os povos tribais não precisavam de evangelização e poderiam ensinar o Ocidente a viver em harmonia com a natureza.

Uma tal reescrita da História distorce o conceito tradicional católico das missões. Denigre o trabalho heróico de santos e missionários que sofreram grandes dificuldades na sua sede de almas. Ignora igualmente muitos costumes atrozes, condições e superstições que aleijaram as culturas pagãs e causaram um sofrimento indescritível a estes povos.

O Professor Plínio Corrêa de Oliveira denuncia esta manobra para destruir a noção das missões no seu livro profético, Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no Século XXI. Actualmente, os partidários desta teoria heterodoxa podem encontrar-se entre os partidários veneradores da Pachamama da “espiritualidade” amazónica e todos os adoradores da Mãe Terra (conhecida como Gaia) entre os índios de todas as Américas.

O conceito tradicional das missões

A obrigação de evangelizar veio da Grande Comissão quando Cristo disse: “Ide, pois, ensinai todas as nações: baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinando-os a observar todas as coisas que vos tenho mandado” (Mat. 28: 18-20).

Cristo não ordenou aos Apóstolos que impusessem a sua cultura judaica aos povos. Pelo contrário, Ele chamou os Apóstolos a ensinar as verdades universais do Evangelho, para que aqueles que ouviram a “Boa Nova” e acreditaram, pudessem ter acesso à vida eterna.

Por causa do pecado original, a humanidade caída pode afundar-se na pior depravação. Aqueles que evangelizaram o mundo encontraram-no afundado no pecado, no vício e nas superstições. Não havia povos na terra que não sofressem de práticas bárbaras, guerras constantes, fome, bruxaria, escravidão e impureza.

A palavra missão vem da palavra latina “missio,” de “mitto,” ou seja, “enviar.” Assim, o missionário era “enviado” por Cristo, através da Igreja, para libertar estas pobres almas da escravidão do diabo. Não foi um projecto judeu, romano ou mais tarde europeu que transformou a paisagem pagã. Os bárbaros primitivos que ocuparam a Europa durante a antiguidade foram tão cruéis e selvagens como as tribos encontradas mais tarde nas Américas. Ambos precisavam de evangelização.

Assim, esta actividade missionária era frequentemente perturbadora, como se pode ver pelos primeiros santos Cristãos que derrubaram os ídolos, cortaram os carvalhos sagrados ou proibiram o sacrifício humano, o infanticídio ou o canibalismo. Contudo, Deus abençoou estes esforços, e muitos povos que reconheciam a miséria da sua situação abandonaram os seus caminhos errados e imploraram aos missionários que os esclarecessem. Como resultado, povos inteiros converteram-se à Fé. Para onde quer que a Igreja fosse, ela preservava o que era bom na cultura e removia o que era mau, construindo sempre uma autêntica cultura cristã.

Objectivo da missão católica

Assim, o modelo da Missão Católica, desenvolvido ao longo de vinte séculos, foi sempre muito definido. Os missionários visavam a salvação das almas, para que pudessem receber a felicidade do Céu e assim dar glória a Deus por toda a eternidade.

O Prof. Corrêa de Oliveira afirma: “A Igreja ensina que o caminho normal para um homem ser salvo consiste em ser baptizado, acreditar e professar a doutrina e a lei de Jesus Cristo.” Consiste também em obedecer à lei de Deus.

Esta descrição é familiar a todos os que leram as vidas de santos e missionários e como estes sofreram privações e martírios para trazer almas à Fé.

Os efeitos temporais da missão

Embora o objectivo final da obra missionária seja a salvação eterna das almas imersas na escuridão do pecado, as missões também tiveram os benefícios adicionais de melhorar a vida terrena dos novos cristãos ao aprenderem a amar a Deus e ao próximo.

O Prof. Corrêa de Oliveira ousa afirmar a posição tradicional da Igreja, segundo a qual “Cristianizar e civilizar são assim termos correlacionados. É impossível cristianizar seriamente sem civilizar. Da mesma forma e reciprocamente, é impossível des-Cristianizar sem desordenar, brutalizando e forçando a um regresso à barbárie.”

Com o Evangelho e a prática dos Dez Mandamentos, reina a ordem cristã, e a sociedade progride material, intelectual e culturalmente. As superstições e os costumes bárbaros que escravizavam os povos pagãos já não os atormentavam nem os deixavam em infeliz estagnação.

A evangelização indiana

A evangelização indiana diferiu das conversões bárbaras após a queda do Império Romano. Estes mais recentes povos converteram-se à Fé e formaram nações católicas onde a Igreja podia influenciar toda a cultura sem elementos corrosivos exteriores.

As mais recentes evangelizações indígenas, contudo, foram dificultadas pelo contacto com exploradores decadentes e modernos neo-pagãos que tiveram uma influência corrosiva sobre as populações convertidas. Os poderes protestantes e os maus católicos frequentemente destruíram o trabalho benéfico das missões católicas. As ideias iluministas escureceram ainda mais as mentes contra a Verdade. Estas influências fizeram com que os índios ficassem sujeitos a muitas injustiças que devem ser denunciadas. O trabalho dos missionários foi mais árduo por terem de combater estes elementos ocidentais corruptos para além das superstições das religiões pagãs.

No entanto, a influência da Igreja ainda beneficiou os índios ao abrir-lhes os meios da salvação eterna. Tribos inteiras foram convertidas e baptizadas. Estes povos avançaram muitas vezes materialmente e desfrutaram dos benefícios do progresso. Onde quer que a Igreja fosse, Ela aliviava o sofrimento, educava os jovens e conservava as línguas nativas. Hoje a Igreja invoca alegremente os nomes de santos nativos americanos destas populações, tais como Santa Kateri Tekakwitha, São João Diego ou São Martinho de Porres. Nossa Senhora de Guadalupe veio ao México e efectuou a conversão de milhões de pessoas.

O missionário pós-comunista moderno rejeita a evangelização

O livro do Prof. Corrêa de Oliveira descreve como os missionários “actualizados” rejeitaram a tradição da missão e inverteram a narrativa para ver os povos indígenas como “os verdadeiros evangelizadores do mundo.” Rejeitaram o mandato de Cristo de ir e ensinar todas as nações e proporcionar-lhes o Baptismo como meio de salvação. De facto, o Padre Corrado Dalmolego, um sacerdote italiano da Consolata que dirige a missão Catrimani no Brasil, gabou-se de que a sua missão não baptizava ninguém em mais de cinquenta e três anos!

Alguns partidários desta nova “Igreja com rosto amazónico” procuram restabelecer as práticas da idolatria (Pachamama), nudez e imoralidade que escravizavam os seus antepassados. Espera-se frequentemente que os índios adoptem estilos de vida comunitários sem propriedade privada, o que os algema na pobreza abjecta.

A narrativa neo-missionária enquadra-se bem nas ideias da teologia da libertação que transformam tudo numa estrutura de luta de classes de opressores e oprimidos. Idolatra um ideal primitivo, marxista e utópico que nunca existiu na cultura indígena, mas que é apresentado como um modelo utópico para o Ocidente.

A viagem do Papa Francisco ao Canadá serve como ocasião para promover esta narrativa subversiva, muito mais através de imagens do que de palavras. Não quer dizer que as injustiças não tenham acontecido. No entanto, o foco das críticas é redigido em termos que favorecem a revolução e o ressentimento. O conceito tradicional do papel salvífico da missão foi abandonado em favor de uma perspectiva sociológica e esquerdista que prejudica grandemente tanto os nativos americanos como os norte-americanos de todas as origens étnicas.

O Professor Plinio Corrêa de Oliveira afirma que o foco central deve ser “o poder e a bondade do Salvador,” Nosso Senhor Jesus Cristo, e não o Anticristo, representado pelo mundo tribal neo-pagão moderno. “Nosso Senhor Jesus Cristo é infinitamente mais poderoso do que o Anticristo.” Que todas as nações acreditem Nele e sejam baptizadas, para que a Sua oração no Pai Nosso se cumpra “venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.”

John Horvat II é um académico, investigador, educador, orador internacional, e autor do livro Retorno à Ordem, bem como o autor de centenas de artigos publicados. Vive em Spring Grove, Pennsylvania, onde é vice-presidente da American Society for the Defense of Tradition, Family and Property.

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